Black Adam é o novo filme da DC Comics em conjunto com a Warner Bros, que faz regressar um anti-herói relacionado com Shazam! (2019) ao grande ecrã através de Dwayne Johnson. O filme conta com Jaume Collet-Serra, realizador de Juggle Cruise (2021), The Commuter (2018), Non Stop (2014), Run All Night (2015) entre outros, alguns destes filmes com bastante ação, algo com que se pode contar em Black Adam, sendo a ação a estrela do filme.
A narrativa começa por nos levar 5 milhões de anos atrás no tempo, numa época em que o local onde a ação se desenrola, Kahndaq, tinha o seu povo escravizado por um rei que obrigava os seus súbditos a procurar por um mineral com o nome de Eternium. Esse material era cobiçado pelo rei devido ao poder que lhe poderia dar, já que, ao ser forjado em forma de coroa, daria podres demoníacos a quem a usasse. No entanto, um rapaz que quis ver o seu povo livre revolta-se contra o que se passa durante as explorações do mineral. Devido à sua revolta, o rapaz enfrenta uma execução em praça pública, porém, no momento em que está prestes a morrer, é invocado por um grupo de feiticeiros que o escolhem para ter poderes dignos de deuses. Assim nasceu Teth Adam, o campeão que libertou Kahdaq.
Após a contextualização, somos transportados para a atualidade, onde o povo de Kahndaq volta a ser controlado, desta vez por uma organização criminosa que explora os recursos da sua terra, a Intergang. A Professora Adrianna (Sarah Shahi), resistente a esta tomada de poder, luta contra a organização e procura encontrar a coroa que causara pela primeira a escravidão do seu povo, a fim de não deixar que o poder maligno que carrega caia nas mãos erradas. Nessa busca, a professora encontra a coroa, mas é encurralada pela Intergang. Devido a isto, Adrianna invoca o campeão Teth Adam que mata todos os membros da organização presente. Acompanhamos assim o regresso do campeão a uma Kahdaq diferente, com novos desafios, já que o seu regresso mostra-se como uma ameaça para Amanda Waller (Viola Davis) e a Sociedade da Justiça, mas uma esperança para o povo de Kahdaq que tem o seu campeão de volta. Acham que já contámos muito? Ainda falta saber várias coisas numa narrativa que tem muito a acontecer em 2 horas e 40 minutos que não custam a passar.
Sarah Sashi como Adrianna e Mohammed Amer como KarimFonte: Divulgação
Em Black Adam, a DC acaba por abraçar a confusão em que o seu universo está e voltar a colocar personagens que não são muito desenvolvidas e que aparecem meio que caídas do céu (literalmente). São elas as personagens ligadas à Sociedade da Justiça, Hawkman (Aldis Hodge), Doctor Fate (Pierce Brosnan), Atom Smasher (Noah Centineo) e Cyclone (Quintessa Swindell). A introdução destas personagens na narrativa levou a que ficasse mais complexa do que o que estamos habituados a ver num filme de introdução a uma personagem que não tem um universo sólido. Acabamos por ter de lidar com dois conflitos e há bastantes coisas a processar, deixando alguns assuntos interessantes por desenvolver.
Um deles prende-se à discussão do que é certo e errado, que fica muito camuflada pela transformação dos atos errados de Black Adam em comédia, simplificando com o diálogo de que os heróis não matam pessoas. Podia ter havido uma discussão maior e até uma dúvida quanto a essa premissa, já que a Sociedade da Justiça apenas apareceu para prender a única esperança de Kahndaq e nunca aparecera para ajudar antes disso. É aí que se prende outro assunto que poderia ser explorado, um assunto que até envolve uma crítica através do paralelismo que é possível fazer entre o comportamento dos Estados Unidos para com certos países do Médio Oriente e a sua preocupação em manter a situação mundial estável. No entanto, são dois temas que são mencionados, mas rapidamente esquecidos para que a narrativa continue a avançar rapidamente.
No fundo, Black Adam acaba por ser um filme que não procura ser profundo e foca-se mais na ação e na comédia. É algo expectável com a escolha do realizador e do próprio Dwayne Johnson que consegue fazer-nos sorrir mesmo mantendo a postura séria do anti herói, num filme que tem uma comédia que não é forçada. A narrativa avança bem rapidamente até ao final, um final um pouco enrolado. Minutos que estão a mais em certas cenas do desenrolar da ação serviam bem para tornar o filme mais profundo, explorando os temas que mencionei, mas não era isso que esta obra pretendia. Assim, acaba por ser apenas mais uma peça de entretenimento, o que não tem de ser negativo. Ao menos não temos o típico traidor que faz o plot twist, já que nesta narrativa se existe algum, ele é claramente identificado desde o início.
Por outro lado, o filme parece preocupar-se em deixar algumas pistas para o futuro da personagem, desde a descoberta ao equivalente da kryptonite para Black Adam que é utilizada contra ele zero, às cenas após os créditos que nos trazem a possibilidade de um confronto com um velho conhecido do universo.
Dwayne Johnson como Balck Adam e Aldis Hodge como Hawkman. Fonte: Divulgação
No geral, em termos visuais, o filme não é muito dark, só podemos considerar mais dark o anti-herói e a sua maneira de proceder, já que em termos visuais, tem bastante luz por estar numa ambiente mais desértico e temos a introdução da cor através de Cyclope, que demonstra uma manifestação dos seus poderes muito bonita visualmente. Além disso, num filme dominado pela ação e de super-heróis, não poderia deixar de comentar o CGI, que não apresenta grandes falhas, sendo especialmente interessante no Doctor Strange da DC Comics, o Doctor Eternal, interpretado por Pierce Brosnan, uma interpretação fulcral para tornar a personagem mais interessante. No entanto as cenas de luta não são tão boas como filmes anteriores, como os filmes de Wonder Woman, já que aprecio bastante a slow motion que a DC começou a utilizar nos filmes da heroína.
Black Adam é o reflexo de que ter um mau plano pode ser melhor do que não do que não ter qualquer plano, já que o planeamento atrapalhado da adaptação da DC Comics ao cinema mas serve para nos entreter com muita ação e uma comédia o quanto baste.
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